O desafio foi feito pelo repórter Ernesto Paglia ao ator Thiago Lacerda e a um taxista de São Paulo.
Já que vamos falar de navegação por GPS, qual será a melhor direção? A de Thiago Lacerda, carioca, motorista visitante que quase nunca dirige em São Paulo ou será a do Sr. João Pereira de Souza, 28 anos de táxi e uma memória do tamanho de um ônibus?
O desafio é simples: respeitando as leis do trânsito, vamos ver quem chega antes ao Museu do Ipiranga. O taxista João ou o ator Thiago Lacerda guiado pela alta tecnologia do GPS? De um só, não, de oito aparelhos.
Escolhemos os mesmos aparelhos avaliados pela Fundação Pró-Teste, uma ONG especializada na defesa do consumidor. A análise procurou o melhor GPS para o motorista comum, um sujeito desorientado na cidade, exatamente como Thiago Lacerda está agora. “Eu estou tomando uma surra sensacional do meu GPS”, brinca Thiago.
Sem GPS, Sr. João larga na frente. “Esse caminho eu acho ele mais reto. Na pior das hipóteses ele é mais curto”. No nosso carro, a questão é outra. É que ponto turÃstico é o ponto fraco dos GPS.
Nesse especÃfico, por exemplo, não tem Museu do Ipiranga. O nome oficial é Museu Paulista da Universidade de São Paulo que também não tem. Quando finalmente se entendeu com os botões, Thiago enfrentou um novo problema: difÃcil é saber qual caminho seguir.
A discordância entre os co-pilotos eletrônicos tem explicação. “Cada GPS tem um fornecedor de mapa diferente. Alguns tem os mesmos, alguns não tem e eu posso citar alguns. Por exemplo: o Google Maps é fornecedor de mapa e o próprio Apontador, GPS do Apontador, ele existe catalogação de mapa do Apontador”, explica o engenheiro da Pró-Teste, Carlos Eduardo Vieira.
E não se deixe confundir pelos anúncios. Tem modelo que anuncia mais de mil cidades mapeadas, mas a quantidade que interessa é a de mapas auditados, ou seja, aqueles que foram checados e possuem comando de voz para orientar a navegação.
De acordo com a Pró-Teste, eles não passam de 300 no Brasil. A maioria em capitais ou grandes centros urbanos. Mapas não auditados não resolvem e ainda podem te botar no mau caminho.
Trafegar por túneis, onde a antena do GPS não recebe o sinal dos satélites, também é um desafio. “Ele não percebeu que a gente desceu o túnel. O GPS está achando que a gente está por cima”, brinca Thiago.
Mas, no meio da escuridão, uma surpresa: os aparelhos tem programação para continuar navegando, apesar de não ter a referência dos satélites, o equipamento faz uma estimativa da posição do carro, baseado na velocidade de antes de entrar no túnel.
O problema é que o Thiago vinha a mais de 70 quilômetros por hora antes do túnel, e mesmo tendo reduzido, o GPS acha que ele continua correndo e dá à bronca.
Enquanto isso, no táxi, Sr. João segue confiante. Não tem dúvida de que chegará primeiro. Mas ele não despreza o desafiante eletrônico. “Com GPS já não é muito fácil. Sem o GPS, é complicado”. Thiago que o diga.
Apesar de uma certa diferença nas informações, todos os GPS guiaram o ator dentro de São Paulo que é uma cidade que ele não domina. “A impressão que eu tenho é que se eu tivesse um deles, qualquer que fosse, a gente chegaria”.
E, mesmo sem acordo entre os GPS, avançamos bem. A cada esquina, é um plebiscito eletrônico e nós, democraticamente, acatamos: a maioria, vence. Custou alguns quilômetros, mas chegou uma hora em que eles, para nossa surpresa, fizeram coro antes da próxima curva.
Tarde demais para o nosso desafio. Sr. João já estava às margens do Ipiranga, mas o placar não foi tão vergonhoso. Menos de cinco minutos depois, é a nossa vez.
Sr. João chegou na frente, mas não foi tanto. Até que o GPS funciona um pouco. “Tudo que vem para ajudar é bom”, afirma Sr. João. É mais do que bom.
Segundo o engenheiro da Pró-Teste, todos os oito GPS avaliados cumprem o que prometem, mas quatro deles são mais eficientes. Apontador G-8, Airis T954br, Aquarius Discovery e o Tom Tom XL.
A diferença no desempenho desses quatro é pequena, mas, na relação custo/benefÃcio, o que recebeu a melhor avaliação da ONG foi justamente o aparelho mais barato. “Nesse caso calhou de ser o melhor do teste, o Apontador, mas isso não quer dizer que os outros sejam piores. Eles são um pouco mais caros, mas a qualidade, como já disse antes, é equivalente”, afirma o Engenheiro da Pró-Teste.
Mas as garotas que encontramos no museu tem outra opinião: o escolhido é Thiago Lacerda. Moral da historia: tenha um GPS a bordo e uma caneta, se você for famoso, pode dar uns autógrafos também.
Matéria exibida pelo Jornal da Globo na edição do dia 17/09/2009
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